Eu não gosto de Natal. Pronto, falei.
Não tenho boas lembranças. Os presentes, a comida, o desperdício, a hipocrisia. Não gosto nem de falar.
Acontece que, de uns anos para cá (4 para ser mais exata), algumas coisas mudaram. Não acho que a gente deva passar para a próxima geração, frustrações que são nossas e, quem sabe, lá na frente, a vida possa ser bem melhor. Eu gostaria de passar uma boa imagem do Natal para a minha filha. Ainda não sei muito bem como fazer isso e sei que o tempo está passando e os natais estão sendo gravados no HD da cabecinha dela, mas eu estou tentando.
Fiz tudo diferente: primeiro, deixei ela entrar na fantasia do Papai Noel. Meus pais não quiseram mentir para mim, mas eles não sabiam que, para crianças, fantasia e realidade se misturam e elas escolhem onde querem estar, ora no mundo real, ora na história que elas mesmas inventam. Enquanto ela estiver brincando e curtindo, vou deixando… quando ela quiser saber a verdade, ela vai perguntar e eu vou responder.
De resto, eu queria que o Natal dela fosse menos consumista e mais tranquilo, na contra-mão da loucura que invade as cidades nesta época. Então, para enfeitar a casa, pegamos os enfeites dos outros anos, ela se divertiu pendurando as bolas na árvore. E tudo é tão comum que nem vou me dar ao trabalho de fotografar para mostrar aqui. Até porque, acho que Natal tem muito de tradição, e acho até gostoso abrir a caixa de enfeites e encontrar coisinhas que nem lembrava que existia (eu gostava dessa parte).
A única coisa diferente que eu fiz, foi um calendário de Natal, tão simples quanto o resto, para acalmar a ansiedade da baixinha:
Uma bala para cada dia de dezembro até o Natal (aproveitei as balinhas das lembrancinhas de aniversário durante o ano) e um pirulito no dia 25 coladas em 2 folhas de papel reciclado emendadas. Desenhei um presépio (para lembrar o que é o Natal de verdade) e a carinha do Papai Noel lá perto do pirulito.
Nos divertimos juntas fazendo o calendário num domingo de chuva e acho que consegui mostrar o Natal para ela de um jeito mais simples e verdadeiro.