domingo, 2 de agosto de 2009

2 ou 3 fiadas, que diferença isso faz agora?

Esta semana, perdemos alguém querido lá da vida passada. Fiquei triste, eu gostava dele. Era uma pessoa idealista, embora eu nunca tenha encontrado muita coerência em seus ideais. Esta perda me fez ter mais certeza que eu tomei a melhor decisão de todas deixando tudo para trás.
Este amigo não tinha fim de semana. Eu me lembro muito bem quando ele queria que entregássemos um projeto antes de um feriado prolongado para que ele pudesse verificar no feriado. Mas ele me parecia muito correto naquilo que fazia e, o tempo todo, buscava a perfeição. Eu considero esta busca muito justa, quando ela realmente vale a pena. Eu busco a perfeição no que faço e me espelhava um pouco nele, sim! Só não fazia sentido para mim, os motivos que o levavam a esta busca. E eu procurei estes motivos por muitos anos, até desistir e deixar aquela vida para trás.
O último trabalho que eu fiz para ele foi já nesta vida e, entre outras besteiras, eu deveria alterar as posições das telas de cada 2 fiadas para cada 3 fiadas. Quem lê este blog pode não entender nada disso, mas realmente não faz sentido, não há motivo, não importa. Não faz diferença nenhuma agora, ele não vai ver a posição das telas e nem saber se deu certo. A propósito, ele teve um ataque cardíaco.
Talvez o jeito seja simplesmente não levar a vida tão a sério como eu levo e como ele levava e aceitar as revisões de projeto como uma brincadeira. Não é o meu jeito, por isso eu estou escolhendo um trabalho mais divertido, já que eu vou me envolver e levar a sério.
E as outras pessoas queridas que ficaram lá? Talvez elas saibam brincar com o sério e que sobrevivam a isso ou encontrem o que é realmente importante para elas... Não queria perder mais ninguém por isso, principalmente ninguém muito mais querido....

1 comentários:

Vanessa Biali disse...

Que lindo texto, Lívia!
Também precisei fazer escolhas duras, deixar a vida passada, "reencarnar" como você diz... Mas, vale muito a pena, vale a pena encarar olhares reprovadores, olhares duvidosos (que podem ser olhares dos que nos rodeiam ou de nós mesmas) para viver de uma forma mais leve e "orgânica".
Há coisas que eu não negocio e viver situações assim de perda de pessoas queridas, nessas condições, ou outras situações em que vemos a perda de vitalidade de alguma forma, me reafirmam nas minhas escolhas.
Bjs,
Vanessa

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