Corri tanto para o bazar, costurei tanto, que não conseguia mais olhar para a máquina. Coloquei ela cobertinha num cantinho e ficou lá até o ano acabar.
Logo que passou o bazar, tive 1 semana para preparar a loja para o Natal. Acontece que estou sozinha na loja, então não podia sair. Então antes de abrir a loja, fui até o centro, comprei fitas e enfeites de Natal, me inspirei na janela da Lidi e fim, está montada a vitrine. Fiquei com os trabalhos das meninas, que deram uma graça especial à vitrine e chamaram muita atenção. Minha loja era uma mistura de loja com feirinha, com um cantinho de costura abandonado num cantinho.
Mês de dezembro, sabe como é comércio, aberto até tarde. Ainda bem que minha loja é de bairro e ficamos 1 ou 2 horinhas a mais. Depois tudo fechava e a rua ficava deserta. Mesmo assim filha de férias, tinha que chegar em casa, dar banho, preparar janta, ela acabava indo dormir tarde e não conseguia acordar no dia seguinte.
Quase enlouqueci. Trouxe a TV, jogos, brinquedos, os fundos da loja pareciam mais uma creche de 1 criança só. Ela sempre aparecia quando tinha cliente e ficava andando no meio da gente, causando. A maioria das pessoas não se importa, mas existe gente implicante e não posso me dar ao luxo de escolher meus clientes. Rendeu 1 milhão de conversas sérias. Fora a “fome” que ela sentia a cada 2 horas. Fome de diversão, de atenção, de atividades…. mas ela não sabia entender isso e pedia bolacha. Sorte (por enquanto) que foram só 2 semanas de férias. Ano que vem ela vai para o ensino fundamental e acabou minha folga.
Para distrair nem precisa muito, só muita atenção. Olha o que acontece num domingo de sol:
Uma bacia com água, um biquini e algumas bonecas… nada mais.
Mas não dava só para ficar entre loja, casa e bacia com água.
Na nossa cidade tem shopping com Papai Noel “de verdade”, mas este dá medo, então melhor visitar o Papai Noel “que não é de verdade” (palavras dela) na cidade menor aqui perto.
Até porque a casinha dele é bem bonitinha e entramos nela muitas vezes. É interessante ver as pessoas que nunca saíram desta cidadezinha. Adultos irritados porque as crianças não saíam da frente do Papai Noel que elas queriam fotografar. Adultos tirando foto com o Papai Noel. Adultos simples, aqueles que trabalham na roça e esse é o passeio do ano, ir para a praça ver a decoração de Natal.
E a decoração não deixa nada a desejar, um presépio enorme, pinheiros araucária enfeitados como árvores de Natal, anjos de luzes e uma orquestra de viola caipira.
No Natal meus pais e irmãos vieram à minha casa. Isso foi uma grande surpresa, foi idéia deles. Era uma lei, tinha que ser na casa deles e todos os filhos tinham que ir. Agora parece que minha família (marido e filha) foi oficialmente reconhecida como família e minha casa oficialmente reconhecida como a casa de uma família.
Lembra que eu disse que não gosto de Natal? Pois este Natal foi tão diferente. Primeiro porque trabalhei muito, não porque precisava entregar tudo e fazer todas as reuniões antes do Natal (reuniões que serão esquecidas e entregas que não serão usadas). Trabalhei atendendo aos desejos de Natal, às vontades de presentear. Vi o espírito de Natal por outro ângulo. Vi as pessoas vindo até mim procurando uma solução para deixar outras pessoas felizes. Algumas pareciam sim estar cumprindo protocolos, mas grande parte estava feliz em presentear pessoas queridas. Sem falar que teve um ar de prosperidade. Dá medo de falar isso aqui no blog, (vide post anterior, rsrs) parece que a loja estourou, enfim, não é bem assim, mas vi movimento. Movimento da coisa se movimentar mesmo, gente entrando, gente saindo, gente voltando. Vi uma família se presentando na minha frente. As irmãs e a sobrinha escolhendo o que queriam de presente umas das outras e pedindo para embrulhar para colocar embaixo da árvore.
2010 foi o ano do tigre no horóscopo chinês. Fomos (nós humanos) chamados a agir com agressividade. O planeta se chacoalhou, as vidas se chacoalharam. Tudo o que escrevi parece tão banal, mas posso dizer que fui chacoalhada.