quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A timidez da filha

 

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imagem daqui

Eu poderia entrar no coro e dizer que está tudo corrido por aqui mas não adianta. Conforme for possível e valer a pena, eu apareço por aqui. Se não der, paciência.

Aliás, paciência. É o que eu tenho dito muito nos últimos tempos. Vou fazendo o que dá e o resto… paciência. Só é importante que as prioridades estejam bem estabelecidas e a gente possa dizer “paciência…” para as coisas certas.

Prioridade número 1 sempre foi a família e nos últimos meses nossos esforços foram concentrados para ajudar a filha a vencer uma timidez exagerada. É certo que eu não posso exigir que ela seja uma pessoa extrovertida, brincalhona, faladeira e cheia de amigos, já que eu mesma sou muito tímida. Mas para o bem dela, acredito que seja minha função ensiná-la a ser gentil com as pessoas, cumprimentando, agradecendo e respondendo quando alguém faz uma pergunta. Aliás, quando a pessoa não age assim, não dizemos que ela é “sem educação”? E educação não seria a função dos pais?

Função que se torna muito mais difícil com a quantidade de ruído externo. Quando você diz: “filha, responda, fulano perguntou seu nome!” e o fulano em questão fala: ”deixa, é criança….”

Sim, é criança, e se eu não ensinar agora, quando eu vou ensinar? Quando ela for um adulto arrogante que acha que o mundo deve girar ao seu redor e todas as pessoas vivem em sua função? Tarde demais, não é?

Claro que foi muito duro deixá-la sem ver seu canal de TV favorito e sem jogar no computador por tanto tempo. Mas ela mesma reconheceu que não estava legal assim e precisava mudar, mas faltava um estímulo….

Então, viva a Supernanny! Pegamos um calendário com espaços para anotações nos dias e fizemos um esquema de pontos. Ela mesma ajudou a montar, ela que definiu como contar os pontos:

- se ela deixasse de cumprimentar alguém ou responder uma pergunta, ganharia um X e 0 pontos.

- se ela olhasse, sorrisse e fizesse “tchau” com a mãozinha, ganharia uma florzinha, valendo 1 ponto.

- se ela respondesse oi, tchau e as perguntas, mesmo baixinho, ganharia um coração, valendo 2 pontos.

- se ela cumprimentasse e respondesse as perguntas, ganharia uma estrela, valendo 3 pontos.

- se ela falasse normalmente com as pessoas, ganharia uma bonequinha, valendo 5 pontos.

E os prêmios, também foi ela quem estabeleceu.

- quando completasse 10 pontos, um sorvete de máquina do vizinho de loja;

- 20 pontos: um sorvete do shopping;

- 30 pontos: um brilho labial que eu já tinha comprado mas que ela perdeu o direito de usar;

- 50 pontos: o direito de gastar o dinheiro da mesada.

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Ficamos mais de mês preenchendo o calendário, decidindo junto com ela qual deveria ser a pontuação do dia. Ás vezes ela ganhava alguns “X” seguidos e se esforçava para melhorar nos dias seguintes. Mas até completar os 50 pontos, ela não ganhou nenhuma bonequinha, ou seja, nunca falou direito com ninguém.

Então apareceu uma oportunidade mágica: meus pais, junto com os padrinhos dela, foram viajar num feriado para um sítio e convencemos ela a ir junto, sem os pais. Não precisou muito esforço para convencê-la, adorou a idéia. Eu fiquei com o coração partido, mas ela ia ter que falar.

Bom, na volta, ela tinha falado com a minha mãe e uma tia, só. Mas foi só o primeiro passo. Nas férias de julho, ela ficou 1 semana na casa da avó, na cidade vizinha, onde encontrou os primos, um daqui mesmo que estava por lá e outro de Curitiba, todos mais ou menos da mesma idade. E, de tanto brincar e se divertir, esqueceu da timidez. Falou com todo mundo e voltou transformada. Um pouco chorona (já sentiu depressão pós férias? então…), mas falando.

As pessoas até estranhavam: “Nossa, Elisa, agora você fala?” “É, eu fui para a casa da vó nas férias e voltei faladeira.”

E agora ela vai no parque e conversa com as crianças, responde, com gentileza, as perguntas dos clientes da loja (tipo, oi, como vc é bonita, como é seu nome? e outras coisas chatas que os adultos falam, quem aí já não foi criança?).

Não foi fácil e muitos desafios ainda estão por vir. E os ruídos externos sempre estarão aí para atrapalhar também, mas ela mesma está muito mais feliz, brincando com outras crianças e mais relaxada também, sem medo de alguém falar com ela. Por isso valeu o esforço e estamos prontos para outra. Quer dizer…. será que dá para tirar umas férias antes?

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